segunda-feira, 27 de dezembro de 2010

Lagoa das Garças


Logo depois da curva se abre o mais lindo cenário, ipês amarelos forrando o chão de flores que caem ao vento rodopiando como bailarinas, quem precisa de neve?

Na lagoa as garças se reunem numa pequena ilha, algumas brincam de imitar o movimento das flores caindo com um voo cheio de voltas e piruetas.

Um verdadeiro espetáculo de balé entre flores e aves, entre a alegria do amarelo, a suavidade do branco e a imensidão do verde, todas essas cores refletidas no espelho d'água, e por um instante eu esqueço a mediocridade da vida, o barulho do ônibus lotado, o trânsito lento...

Esqueço que estou indo pra mais um dia de trabalho, esqueço que estamos no centro de uma capital, esqueço que essa paz só vai durar um minuto, mas esse minuto fará valer o dia inteiro, e me deixo contemplar meu pequeno presente, como se apenas eu pudesse ver...

terça-feira, 21 de dezembro de 2010

Pai

Não, hoje não deu pra aguentar, eu sei que eu te prometi não desabar, mas já são 11 anos segurando uma carga muito pesada e não tem tua mão pra me ajudar, não tem tua voz pra me dizer por onde ir.

Porque eu não posso mais correr pro teu colo e me sentir protegida, eu não posso mais sentir tua mão de leve arrumando meu cabelo e secando minhas lágrimas, quando eu cair e machucar o joelho não tem mais quem diga que o remédio vai fazer doer mais, mas por menos tempo. Isso não tem um remédio, até porque não tem como doer mais do que está doendo.

Eu só queria sentar no chão perto de você e ouvir suas histórias ou seu assobio. Poder te contar que eu ainda sou a primeira da classe, que eu ainda sei como você gosta do café, que eu ainda procuro nas árvores uma folha da mesma cor dos seus olhos. Te dizer que eu não deixo ninguém me fazer chorar, nem me dizer que eu o que eu posso ou não posso, mas eu não posso mais segurar tantas lágrimas e hoje elas escaparam lembrando de você...

quarta-feira, 15 de dezembro de 2010

E...

E no final do dia percebo que foram apenas mais 24 horas sem nada importante acontecer, apenas o tempo acumulando dores musculares e fortalecendo a solidão.

E na manhã seguinte mais mil planos antes mesmo de abrir os olhos, e sei que não resistirão até a hora do almoço, mas são inevitáveis, acho que são meu despertador natural.

E lá vamos nós fazer a roda da rotina girar, como bons ramsters sem querer chegar a lugar nenhum, apenas pelo exercício.

E mais uma noite pra descansar do nada que se fez o dia inteiro.

E mais sonhos parindo planos a serem abortados.

E mais um analgésico para passar essa dor de cabeça, mas será correto fazer isso? Sem a dor como perceber se ainda estou viva?

segunda-feira, 13 de dezembro de 2010

Púrpura

Sair do lugar para andar em círculos...
Círculos? talvez uma espiral
Perder para achar os sentidos
Meditação transcendental

É possível separar corpo e espírito?
É possível viver plenamente?
É possível viver sem ter vivido?
E como se vive e não se sente?

Questionar é a chave do conhecimento
Mas o que se conhece de verdade?
Viver fugindo do sofrimento
É dividir a pouca alma pela metade.

terça-feira, 7 de dezembro de 2010

My ice's heart is back, baby!!!

Já deu né!
Minha paciência nunca foi lá grandes coisas, e já estava se prolongando demais.
Hoje percebi que, enfim, meu coração de gelo está de novo inteiro e em seu lugar, se você acha que consegue derretê-lo de novo, pode tentar! Mas já aviso que não vai ser mais tão fácil assim.

Hoje regulei meu foco, e você nem passa perto da minha lente, tenho paisagens mais interessantes a minha frente e quanto aos meus planos? bem, você não está em nenhum deles, então não te interessa!

Sei que você vai dizer que isso é ressentimento, bom como diria uma das minhas músicas favoritas:
"chame do jeito que você quiser
medo, coragem ou amor,
faça disso o que quizer
é um presente que eu te dou
só não tente me dizer o que é melhor pra mim
ninguém pode saber
não venha me explicar o que eu sinto por você
sou o primeiro a saber!"

segunda-feira, 15 de novembro de 2010

In my ice box

Não querido, você nunca vai me ver perder o controle.
Por mais que eu esteja despedaçada por dentro, tudo que você verá é um sorriso inabalável!
Tenho a segurança do meu quarto pra desabar minha tristeza, tenho meus cd's de rock para gritar minha raiva, sim, meus cd's que você odeia tanto, isso parece deixá-los ainda melhores para mim!

Você vem me contar que está feliz com outra e de certa forma você sabe que isso me desestabiliza, mas não na sua frente, na sua frente serei sempre a melhor atriz de que se tem notícia, ficarei feliz com sua felicidade, mesmo te desejando a pior das mortes, te darei apoio e incentivo pra seguir em frente com seus amores fúteis.

Não querido, você não vai secar nenhuma das minhas lágrimas, porque eu as guardei só para mim. Jamais saberá quantas já verti por sua causa, nunca poderá dizer que já sofri por você, em sua presença meus sentimentos são jogados no mais profundo calabouço da minha alma, amordaçados, acorrentados, longe da sua visão, da sua mais apurada intuição.

Você nunca poderá rir do que sinto, nunca poderá sentir pena de mim, isso porque você não merece nenhuma ínfima parte destes sentimentos, e já que não posso evitar de sentí-los, posso ao menos te impedir de saber que eles existem.

quinta-feira, 11 de novembro de 2010

Retalhos rotos

Eis que a ponta afiada do metal rasga o tecido, abre o caminho e passa
Traz consigo a fibra entrelaçada, vai ziguezagueando ágil
Uma mão que brinca de unir dois lados, ligeira e hábil
A cada ponto de arremate, fechando os cortes que a vida traça.

Das lacerações da alma a quem cabe a urdidura?
Minha alma que era traje de baile elegante
Que dentro de mim saltava dançante
Hoje jaz em retalhos rotos com mil rasgaduras.

Como poderá por mim te tornar tão virtuoso alfaiate,
Que transforme teus sentimentos em agulha e linha
Para ajudar-me a refazer o que destruí sozinha,
E faça que no molde perfeito do teu coração o meu se ate?

quarta-feira, 10 de novembro de 2010

Canibal vegetariano

Não sou exatamente uma fã da cantora Pitty, mas ontem minha prima estava ouvindo e uma frase de uma música (que não sei o nome obviamente) me chamou bastante atenção: "...eu sou uma contradição e foge da minha mão fazer com que tudo que eu digo faça algum sentido...", ao ouvir isso lembrei-me dos meus dois últimos posts aki, eles parecem completamente antagônicos, na verdade a antagonia está nos momentos em que foram escritos, no meu estado de espírito ao escrevê-los.

Ao escrever "Insatisfação Perene" estava sob o efeito de uma recente desilusão, que não foi das maiores que tive, mas me fez refletir sobre a ação cumulativa dessas desilusões de todos os tamanhos, chega um momento em que me questiono se devo realmente resignar-me a estas perdas constantes, porquê devo me contentar com um vazio que me acompanha a tanto tempo? porquê não posso ganhar uma vez ao menos? em muitas situações da nossa vida esses questionamentos nos levam a inconformidade que acaba por nos mobilizar na busca de uma solução, mas nem sempre sabemos por onde começar...

"Relato Destoante", como o próprio nome diz, foi um texto diferente dos demais nesse blog, o primeiro que pode ser chamado de positivista, otimista ou qualquer nomenclatura nessa linha, esse foi resultado de um dia estranhamente feliz, digo estranhamente porque não é sempre que ficamos feliz numa segunda-feira, tendo acordado às 5 da manhã para recomeçar a frequentar a academia, além de um dia de trabalho tão cansativo como os anteriores, mas uma vez um primo meu disse em forma de brincadeira que sentir dor é bom, por que só os vivos sentem dor, e é a mais pura verdade! Aquela dor física acabou me livrando de boa parte da minha constante dor emocional.

Um amigo me disse que o meta-pensamento é um exercício para sabermos se não estamos nos torturando sem motivos, mas este é um exercício bem difício de ser feito, já que os resultados vão depender de seu estado de espírito no momento em que o pratica, um dia pode te dar a certeza de que você não tem saída e no outro pode te apresentar um horizonte de infinitas possibilidades, a chave de tudo é não se deixar levar facilmente por um ou outro.

segunda-feira, 8 de novembro de 2010

Relato destoante...

E um belo dia você abre os olhos e vê que mesmo as maiores decepções não conseguiram te matar, que mesmo tendo sofrido tanto seu corpo e sua mente ainda reagem com um sorriso a um dia de sol, a uma brisa refrescante, que você ainda consegue dar uma boa gargalhada de uma piada bem contada, de uma situação engraçada em família.

Você ainda sente seus músculos aquecerem nos exercícios, e relaxarem no repouso, seu coração ainda pulsa como antes, sua respiração é livre como sempre foi (exceto durante os resfriados! rsrsrsrs), você ainda sente prazer em comer suas comidas favoritas (e um pouco de culpa pelo exagero, mas oras, não é sempre!).

Um carinho preguiçoso de um gato ou a alegria desmedida de um cachorro ainda te fazem brincar como uma criança, tomar água gelada depois de escovar os dentes ainda te causa dor na testa e alívio ao resto do corpo no calor. Ainda existem músicas alegres que te fazem dançar e pular sozinho no quarto, ainda existem lugares que você quer conhecer.

Para perceber tudo isso, basta abrir os olhos e ver que mesmo que você não seja completamente feliz, você ainda está vivo, e todas as pequenas coisas que te mostram isso, são bem maiores do que seus sonhos quebrados, o coração que você entregou a alguém descuidado que o deixou quebrar não é o mesmo que bate no seu peito!

sexta-feira, 5 de novembro de 2010

Insatisfação perene

Será que existem compensações na vida? Será que uma coisa pode ocupar o lugar de outra totalmente diferente? Há satisfação real nisso?

Vamos a mais uma de minhas memórias de infância... lembro que sempre que tínhamos que tomar vacina (fossem as gotinhas amargas ou as horripilantes injeções) minha mãe nos prometia um doce para compensar. Era uma negociação boa para nós, nos protegíamos contra as doenças e ainda ganhavamos um agradinho!

Quando eram as gotinhas, o doce parecia ainda melhor porque tirava o gosto amargo da boca, a dor da injeção não passava tão logo comessemos nossa recompensa, mesmo assim ficávamos satisfeitos, mas nem todos os sofrimentos da vida são só um gosto amargo ou uma picada de agulha...

O que pode servir de compensação para o vazio? para a solidão? para o auto-desprezo? Todo mundo me diz: Você não tem motivos para ser triste ou deprimida, você tem amigos, tem família, trabalha com o que gosta, é inteligente, escreve bem (sim, as pessoas tem mal gosto ou falam só pra agradar!)... mas será que isso compensa o que me falta?

quarta-feira, 3 de novembro de 2010

Vidraça

Sabe quando alguém te olha, sorri largamente com carinho e abre os braços num gesto de saudade e aconchego, é algo tão emocionante que você olha pra trás pra se certificar se está acontecendo com você mesmo e descobre que na verdade você só está no caminho? Pois é, minha vida tem sido um constante dejavu dessa sensação!

Sempre que isso acontece, e hoje aconteceu mais uma vez, eu me lembro de quando era criança vendo desenhos de super-heróis com meus irmãos, sempre ficávamos conversando sobre que super-poderes gostaríamos de ter, eu sempre escolhia o poder de ficar invisível, hoje eu vejo como eu fui uma criança burra! Esse poder é mais uma maldição, porque só aparece da forma errada, no momento errado e eu nunca sei como fazer parar.

Mas será que existe algum super-poder capaz de mudar minha vida?

Crescei e mutiplicai-vos!

Viver em sociedade é viver entre cobranças. Esta é uma verdade inegável, desde a hora que nascemos somos cobrados, porque desde nossa geração somos fontes de expectativas alheias, qual o sexo do bebê? ele vai nascer perfeito? vai parecer mais com o pai ou a mãe? tamanho, peso, cor dos olhos, calminho ou chorão, tudo é expectativa, e desde cedo desapontamos em muitos aspectos.

Depois que deixamos de ser bebês (fofinhos ou não), as expectativas transformam-se em cobranças propriamente ditas. Seja educada, ande arrumada, tire boas notas, fale baixo, coma direito, sorria mais, brinque menos, comporte-se como uma mocinha, você ainda não tem namorado? passe no vestibular, escolha um curso com status, arranje um emprego, se case, tenha filhos, eduque melhor seus filhos, comporte-se como uma senhora...

Ontem minha irmã mais velha estava reclamando da cobrança para que ela encontre alguém, se case e tenha filhos, ela tem 28 anos e já dizem que ela tem que se apressar se quiser ser mãe. Ao contrário de mim, ela é uma mulher bonita, inteligente, fez um curso com status, passou em um concurso federal, é uma boa profissional, mas isso não basta! Só existe o sucesso completo se ela conseguir um bom casamento e filhinhos perfeitos em quem ela possa jogar todas as cobranças que recebeu a vida inteira!

Em alguns aspectos acho que tive mais sorte, ela sendo mais velha recebeu sempre mais cobranças, devia ser um exemplo pra mim, sempre foi aplicadíssima nos estudos, eu sempre tive mais facilidade de aprender sem precisar de tanto esforço. O único aspecto em que realmente fui muito cobrada foi em relação a aparência, neste caso, ter ela como comparativo acabava piorando esta cobrança. "Porque você não come menos pra ficar magrinha como sua irmã?", hoje eu responderia que é devido a nossos biotipos totalmente diferentes, mas aos 6 anos eu não tinha essa resposta na ponta da lingua!

Hoje eu vejo que esta cobrança para que ela se case e dê netos à minha mãe é um pouco culpa minha, eu não sou cobrada nesse quesito, quando não há expectativas não há cobranças, minha mãe não tem esperanças que alguém vá se interessar por mim, então ela deposita todas as expectativas em minha irmã. Cada um com sua carga!

domingo, 31 de outubro de 2010

Espelho de vento

Tão simples e tão fascinante...
Velocidade, fuidez e liberdade
Cantar em galpões vazios
Dançar com coqueirais
E ser breve...

De tanta leveza tornar-se fúria
Destruir, deformar...
Balançar suave as águas, guiar veleiros
Levantar tsunamis, naufrágios...
Tudo é uma questão de intensidade.

segunda-feira, 25 de outubro de 2010

Café com leite

Não sei como chamam no restante do país, mas na cidade onde nasci e cresci nas brincadeiras de criança tinha sempre o "café com leite", que normalmente era a criança mais fraca ou mais nova para quem as regras do jogo não valiam, os mais velhos até deixavam essas crianças "participarem" das brincadeiras, mas elas nunca venciam, nem perdiam, nem eram pegas, elas ficavam lá correndo como se estivessem na brincadeira, mas nunca estavam de fato.

Eu sempre fui café com leite nas brincadeiras, era a caçula de casa e gordinha, então quando meus irmãos e primos permitiam que eu entrasse na brincadeira era como café com leite. No começo, quando eu era bem menor eu não me importava com esta condição, eu estava lá no meio deles correndo e isso me divertia, mas conforme eu fui crescendo e compreendendo melhor as regras das brincadeiras eu queria participar de fato, mas continuava sob a condição de café com leite, isso fez com que um dia eu não quisesse mais brincar, eu apenas sentava e ficava observando os outros brincarem, ou ficava entre os adultos ouvindo as conversas e histórias, apenas ouvindo, criança não podia falar quando os adultos estavam conversando.

Acho que ainda sou café com leite, eu sentei na minha vida observando os outros viverem.

sábado, 23 de outubro de 2010

Inacessível

Porque é da natureza humana desejar, principalmente o que não se pode ter... ou será que é justamente todo esse desejo que torna a realização impossível? Será que de tanto querer tocar as estrelas acabamos as afastando?

Como é difícil contemplar o que se quer sem poder realmenter ter. Como é difícil a cada dia fingir que este vazio não existe e como é torturante o medo de um dia conseguir e descobrir que não era como imaginavamos. Será preferível viver com a imagem perfeita da ilusão do que com as imperfeições da realidade?

Desejamos, mas não apenas obter, queremos que seja fácil, que seja mágico, que seja perfeito. Queremos um gênio como o da lâmpada maravilhosa do Aladin, que em um piscar de olhos nos traga tudo o que desejamos.

Sim, nos falta coragem de lutar, ou quando a temos o tempo e as derrotas nos tiram. Ou simplesmente descobrimos que existem coisas feitas unicamente para ser desejadas e nunca alcançadas...

Já foi muita bobagem por hoje.

sexta-feira, 22 de outubro de 2010

Suavizar

Respirar lento
Ar fluindo
Pensar sem pensamento
ouvindo...

Repousar o fardo
3 minutos
E o cansaço largo
É diminuto...

Uma canção leve
Infantil
Um instante breve
Sutil...

Parar
Contemplar
Interiorizar
Seguir...

segunda-feira, 18 de outubro de 2010

Esquife para uma ilusão recém nascida

Dizem que pessoas inteligentes aprendem com os próprios erros e pessoas sábias aprendem com os erros dos outros... por essa definição acho que sou uma pessoa completamente burra, eu vejo meu erro, eu vejo quando começo a errar novamente, eu tenho plena consciência do resultado desastroso, mas eu simplesmente deixo o erro acontecer outra vez.

Talvez o nome disso não seja burrice, talvez inércia seja uma palavra mais apropriada, mas não importa que nome se dá a isso, a questão é que sei que vou me arrebentar de novo, sei como evitar isso, mas não faço, porque no fundo eu espero que acabe diferente. Esses dias vendo tv o personagem de uma série falou que uma pessoa maluca é aquela que repete as mesmas ações esperando resultados diferentes, então é isto, eu sou maluca!

Mas será tanta maluquice ou burrice ter esperança?

Não se pode viver de ilusões, por mais que nos apeguemos a elas, por mais que elas sejam nosso único lampejo de felicidade, não conseguimos mantê-las vivas pra sempre e a morte de uma ilusão feliz é como a morte de um ente querido, nos coloca num luto muito doloroso.

Depois de enterrar tantas ilusões, ver outra nascer é quase tão sofrido quanto ter visto as anteriores morrerem, mas não há como abortar uma ilusão.

http://www.youtube.com/watch?v=QUKyT_Oqd1A&feature=fvst

sexta-feira, 8 de outubro de 2010

ad infinitum

É bem estranho e nada fácil estar só, principalmente quando se sabe que não é algo temporário, e nem uma solidão física de não ter pessoas por perto, esta é uma solidão definitiva, é a constatação de uma vida inteira onde só se pode ter a si próprio e esta não é uma boa companhia...

A vida é uma imposição, você não escolhe viver, você é empurrado pra isso. Há quem diga que aqueles que apressam sua saída dessa vida são covardes, que corajoso de verdade é quem enfrenta o desafio de continuar vivendo, mas a linha que separa coragem e burrice é muito tênue! Quem anda descalço em cima de cacos de vidro e brasas incandecentes também é chamado de corajoso, mas se formos ver o ponto de vista dos seus pés...

Certa vez eu desenvolvi uma teoria de que a vocação natural do ser humano é o sofrimento, que por mais que tentemos o evitar ele sempre está presente e que a melhor maneira de lidar com ele é a resignação. A verdade é que a humanidade tem uma tendência de generalizar as próprias experiências, e eu sou humana em demasia infelizmente.

Eu sei que nada disso faz o menor sentido, mas a paisagem sempre fica distorcida quando se tem lágrimas nos olhos.. Lágrimas, elas sempre aparecem não é? elas são o primeiro sinal de que você está entendendo a situação. A situação é que você (eu) estou em um caminho que não vai dar em lugar nenhum, exceto o cemitério, e que não tem ninguém com quem ir conversando pra tornar a caminhada mais amena, então se encontrar uma pedra no caminho, o melhor a fazer é sentar e chorar, por que motivos não faltam.

quinta-feira, 22 de julho de 2010

Aceitar...

Tudo parece tranquilo, normal, a gente acorda até feliz....

A gente sempre sabe que esta hora vai chegar, mas agimos como se não fosse chegar nunca, mesmo quando percebemos que o fim está próximo, sempre achamos que não vai acabar ainda, que ainda há muito o que aproveitar.

As vezes forçamos um pouco, tentamos reunir resquícios onde antes havia abundância, tentamos de todas as formas extrair algo de onde não há mais nada.

Bom, uma hora isso tem que acontecer e temos que aceitar esta constatação...

O creme dental acabou! =P

quinta-feira, 15 de julho de 2010

Um postal para Drummond

Por que quando chove não dá pra ver o horizonte... ou ele só fica menor?
Agora só conseguimos ver o espaço já conhecido, a cortina de água esconde a linha do que ainda está distante, e quando não vemos é como se não estivesse lá, mas está!

De dia as estrelas não existem, por que não pensamos nelas de dia. De dia tem trabalho, tem gente na rua, mesmo debaixo dessa chuva, mesmo sem ver seus rostos debaixo do guarda-chuva, elas estão ali, caminhando no asfalto que parece tão limpinho quando chove! mas a sujeira da rua ainda está ali.

A sujeira em cima do asfalto, embaixo das pessoas, as pessoas debaixo dos guarda-chuvas, debaixo da chuva que escondeu o horizonte, num dia de trabalho na hora que as estrelas não existem eu aqui esperando elas nascerem, esperando que não se dissolvam na chuva.

Aqui a janela não tem vidro e não fecha nunca.

sexta-feira, 2 de julho de 2010

Divagações sobre o ar...

"Por um pedaço de pão, por uma estória pra contar
Por acaso, por um triz, só pra contrariar tua direção
Tua mão a indicar o rumo certo, o caminho mais curto

Não vou agora, não: não quero te encontrar
Preciso me perder como preciso de ar

Perder o rumo é bom se perdido a gente encontra
Um sentido escondido em algum lugar

Devolva-me o que você levou... ou
Leve-me contigo: perca-se comigo

Sempre me perco pelas mesmas ruas
Não trago mapas, não leio as placas
Não sigo pegadas quando sei que são tuas

Não vou agora, não: não quero te encontrar
Preciso me perder como preciso de ar
Se perdi o tom foi pra escapar da tua atração:
Canto de sereia em alto mar

Devolva-me o que você levou... leve-me contigo: perca-se comigo"

Música: Faz Parte
Composição: Humberto Gessinger

O que cada um de nós precisa? eu sei do que preciso? um pedaço de pão ou uma história pra contar? mais que isso talvez... um amor?

Bingo! É disso que todo mundo precisa, certo? talvez, mas nem sempre. Se pensarmos lógicamente o amor tem um sentido prático, que nosso amigo Darwin já falou em seus rabiscos, mas 95% desse sentimento não faz sentido algum, assim como este texto que escrevo.

Sim, eu sempre fui contra o romantismo, e ainda sou, mas é possível amar sem ser idiota? amor emburrece, mas nem sempre também e relativismo enche o saco pra caramba!
A gente encontra a pessoa, a pessoa encontra o amor, mas não é você... então você se f.... meu amigo!

Não, eu não tomei vódka com danoninho no café da manhã! Tem dias que acordo assim, escrevendo japonês com alfabeto cirílico... "Perder o rumo é bom se perdido a gente encontra, um sentido escondido em algum lugar..."

terça-feira, 29 de junho de 2010

Auto-depreciação

Em um livro de dietas, que ganhei recentemente de minha irmã (a família da gente sempre dando aquela dica sutil de que você é um bagulho!), li que antes de começarmos a "transformar" nosso corpo precisamos amá-lo como ele é! Diante desta primeira contradição quase parei de ler ali mesmo, oras se eu amasse meu corpo eu iria querer transformá-lo pra que?

Não, eu não amo meu corpo, me acho um saco de lixo ambulante! Mas, mesmo no meio do lixo você acha algo interessante, gosto dos meus olhos e das minhas mãos, o problema são os outros 95% de mim!

Bom, todo mundo diz pra não me depreciar, que isso não faz bem, mas eu vejo isso de outra ótica... ao me "depreciar" (que para mim é apenas uma questão de ser realista)eu me ponho consciente de como sou físicamente, e analiso como devo me comportar e me relacionar socialmente, isso me ajuda a me preparar psicologicamente para todo o preconceito que encontro na rua.

Se eu tenho consciência que sou gorda, não vou me magoar quando alguém me chamar de gorda, é uma questão de lógica, minha auto-depreciação diminui a carga perjorativa das ofensas e seus impactos em mim.

Também utilizo esta consciência da feiura como arma contra as desilusões, por exemplo, quando eu conheço um cara lindo, interessante e legal (acredite, eu conheço muitos caras assim, e a maioria hétero), eu sei que não posso me apaixonar por ele, minha limitação estética me impede de entrar numa furada e sofrer, uma vez que não me deixa criar expectativas,ou seja, sem expectativas sem decepções!

Eu já cansei de ouvir esse papo de "você tem que se amar", "se você não se valorizar, ninguém vai!"... AAAAAHHHH! Isso não me ajuda em nada! já passei da idade dos contos de fadas, agora eu vivo na realidade, sei que tenho qualidades, mas estas não estão na parte física, então, se quer me elogiar, elogie meu trabalho, meu esforço, minha inteligência (mesmo não sendo muita), mas não me venha com "Ah, mas você é bonita, só precisa emagrecer!", elogio pra mim só é sincero quando não tem uma condição para que ele acontença, se é pra falar merda, melhor não dizer nada! por isso tô me calando por agora.

terça-feira, 8 de junho de 2010

Depressão momentânea

"Tem dias que a gente se sente
Um pouco, talvez, menos gente
Um dia daqueles sem graça
De chuva cair na vidraça
Um dia qualquer sem pensar
Sentindo o futuro no ar
O ar, carregado sutil
Um dia de maio ou abril
Sem qualquer amigo do lado
Sozinho em silêncio calado
Com uma pergunta na alma
Por que nessa tarde tão calma
O tempo parece parado?"
(As Profecias - Raul Seixas)

Um pouco menos gente é como eu me sinto todos os dias, eu sou gente mesmo? tenho cá minhas dúvidas... Sim eu sou constituida da mesma matéria, respiro, me alimento, ando, falo, mas é isso q faz a gente ser gente??? sinto um deslocamento, uma inadaptação tremenda...

Sem qualquer amigo do lado... sim eu tenho amigos, são pessoas divertidas, inteligentes, bonitas mas conviver com estas pessoas me faz sentir ainda mais deslocada, me sinto idiota e um lixo em comparação a elas.

Sozinho em silêncio calado... pra que falar disso tudo? pra quem? por que encher a paciência das pessoas com isso? pra elas sentirem pena e eu me sentir ainda pior? não vou fazer isso...


O tempo parece parado, a vida parece parada, mas na verdade eu é que estou parada, porque não sei me mover, porque não tem pra onde me mover, porque se eu me mover vou esbarrar na vida de alguém, atrapalhar alguma coisa, incomodar, destruir, estragar...

quinta-feira, 13 de maio de 2010

Preconceito: vítima e carrasco

"O melhor esconderijo, a maior escuridão, já não servem de abrigo, já não dão proteção..."
Bom, agora que comecei isto tenho que continuar, agora tem gente lendo o que escrevo aqui! :)
Fico muito feliz que gostem do que escrevo, que me apoiem e coloco meu total apoio à disposição de vocês. "Estamos no mesmo barco, e ele ainda flutua... ao sabor do acaso, apesar dos pesares, ao sabor do acaso, sob a mesma lua."
Hoje não vou escrever muito, vou apenas recomendar um texto que eu gostaria de ter escrito, mas infelizmente não tive a oportunidade de ver esta peça.

http://casadagabi.com/gorda-quanto-pesa-seu-preconceito/

Sempre falamos do preconceito que os outros tem por nós gordos e gordas, mas precisamos admitir que também temos preconceitos contra nós mesmos. Vindo para o trabalho agora a pouco vi uma mulher gorda usando um vestido curto de alcinhas, florido de costas nuas, achei tão ridículo, gordura saindo por todos os lados, eu nunca teria coragem de usar uma roupa daquelas. Mas ela parecia não saber que no mundo existem mulheres magras e as regras que dizem que apenas as magras podem vestir o que quiserem e que nós gordas temos que nos cobrir o máximo possível para não desagradar a visão de ninguém, mesmo debaixo do calor do nordeste. Preciso comprar uma burca porque tenho obesidade???

terça-feira, 11 de maio de 2010

Purgatório sobre rodas

Hoje, como quase todos os dias, estou numa correria desgraçada. Tenho 3 empregos, um pela manhã, outro à tarde e outro à noite, não tenho carro, utilizo o transporte coletivo.
Andar de ônibus já é um suplício para qualquer pessoa, mas em particular para os obesos é um inferno na terra. Primeiro é a dificuldade de passar na catraca, se vc é o primeiro a passar, atrasa a entrada de todo mundo e você já sente todos os olhares de condenação sobre você.
Mesmo quando há lugares vagos nos ônibus ainda passamos constrangimento, ver a expressão no rosto das pessoas que parecem estar rezando pra você não sentar ao lado delas é uma das piores sensações que já vivi. É como se eu fosse portadora dos vírus do ebola, gripe espanhola e H1N1 juntos!
Nos ônibus mais novos há um acento prioritário para obesos, mas ora, se as pessoas não respeitam sequer os acentos prioritários para idosos, imagine para os obesos! Se você pede licença a uma pessoa que não se enquadra nas situações de prioridade e que está ocupando este lugar, na melhor das hipóteses você vai ouvir:
- "Eu por acaso tenho culpa de você ser gorda?"
- "Chegue mais cedo no ponto ou faça uma dieta?"
- "Você comprou o lugar por acaso?"
- "Quem quer andar com conforto vai de táxi ou compra um carro!"
Este tipo de constrangimento acaba nos fazendo abrir mão do nosso direito.
Já os ônibus lotados são a purgação do pecado da gula! Todos te olham como se apenas você fosse culpado pela lotação. Na hora que alguém vai descer te empurram, te machucam, as pessoas acham que você é fofinho porque é feito de espuma e não sente dor.
Quando as pessoas vão nos olhar como seres humanos, que sofrem de um problema e não como animais que comem descontroladamente por pura gula e desleixo???

segunda-feira, 10 de maio de 2010

Protelando...

Bem, mais um dia, ainda tentando encontrar um caminho, decidindo vagarosamente o que fazer da vida, sem a pressão do "só se vive uma vez". Eu sou o que se pode chamar de uma proteladora profissional, sempre deixo tudo pra depois com a desculpa de que ainda não é o momento, agora eu não tenho tempo, não é minha prioridade imediata e todos estes termos que só proteladores usam. Bom, se alguém por ventura não souber o que é protelar o Wikcionáio explica:

pro.te.lar

transitivo direto
1.deixar para depois a realização de (algo); adiar, retardar, postergar
protelar uma decisão

Então, eu vivo protelando as coisas, sempre fui do tipo que entrega o trabalho em cima da hora, mas sempre com muita eficiência, acho que só consigo trabalhar direito com a pressão do prazo quase acabando, nos últimos instantes é que me vem sempre o impulso criativo, é quando meu trabalho fica melhor.
Embora compreenda esta minha necessidade de pressão para me forçar a ser criativa eu não gosto de ser proteladora, pq eu sei q no último instante eu vou conseguir dar conta do trabalho, mas as outras pessoas não entendem muito bem este processo, nem confiam muito que uma coisa feita em cima da hora vá ter muita qualidade.
No trabalho minha mania de protelar nunca me prejudicou, apenas me deu alguns aborrecimentos com cobranças excessivas, mas na vida é bem diferente. Este costume de deixar tudo pra depois quando é aplicado a todos os aspectos da vida fica bem complicado, eu deixo absolutamente tudo pra fazer no último minuto, e quando é algo que eu sei que só vai prejudicar a mim eu acabo nem fazendo.
É assim com minha saúde, já cheguei a passar 5 anos sem ir ao médico ou ao dentista, este ano resolvi fazer um tratamento bucal, e após tanto tempo sem uma consulta odontológica descobri muitos problemas, mas como se diz o ditado "antes tarde do que nunca", e agora estou corrigindo este erro.
Espero em breve tomar esta iniciativa também para o restante de minha saúde, sei que preciso fazer exames de glicemia, colesterol e tantas outras coisas, como também preciso urgentemente ir a um nutricionista, mas ainda estou adiando estas atitudes, mesmo tendo a consciência da importância delas para tentar melhorar um pouco minha vida, talvez eu tenha tanto medo de enfrentar isto tudo, de me frustar mais uma vez abandonando o tratamento, de não conseguir resultado nehum... sei lá.
Há dois meses comecei a fazer musculação pela manhã, de segunda a sexta, mas ainda não estou fazendo o máximo para superar minha obesidade, estou sim me exercitando, mas não sigo uma dieta, e falto à academia às vezes por causa do trabalho e outras por simples preguiça, mesmo nos dias que vou acabo sempre me atrasando e tão logo o ponteiro do relógio se aproxime do meu horário de saída, largo os aparelhos e vou embora.
Não me sinto muito bem na academia, sou a única obesa a frequentar, sinto que todo mundo repara no que faço, ou melhor, no que não consigo fazer, sei que boa parte dessa sensação é paranóia minha, quem é obeso tem dessas paranóias, como quando passamos por alguém e ouvimos uma risada em seguida, pode ser que a pessoa esteja rindo de algo na conversa e nem tenha nos visto passar, mas na nossa cabeça a risada sempre é causada pela visão de nosso corpo desproporcional, do nosso jeito de andar, sempre cansaço e meio desengonçado, da roupa que marca ou que expõe nossa gordura.
Eu falo nós, mas nem tenho certeza de que outras pessoas que também sofrem de obesidade também passam por isso, eu vejo pessoas tão ou mais gordas do que eu que não tem tantas paranóias, pessoas que usam biquines e maiôs na praia sem sentir vergonha do corpo opulento, pessoas que dançam nas festas, que tem namorados, que se casam, que fazem tudo que eu acho que nunca vou conseguir fazer. Uma hora isso vai ter que acabar... mas quando???

sexta-feira, 7 de maio de 2010

Na lanterna dos afogados

Tenho a sensação que escrever aqui é como jogar uma garrafa com um pedido de socorro no mar, ainda estou esperando que alguém venha me salvar de mim mesma. Sei que sou minha única ameaça e minha única salvação, mesmo assim não consigo me salvar sozinha. É difícil definir o estado de solidão que me encontro, tenho família, tenho amigos, tenho bons colegas de trabalho, mas falta algo, não consigo confiar plenamente em ninguém, e ao mesmo tempo sinto que sou tão insignificante pra todo mundo... é uma sensação angustiante, é como estar na lanterna dos afogados, no meio do oceano, agarrando-se a uma esperança mínima de sobrevivência, mas vendo a desolação do vazio do mar. Onde encontrar a salvação?

quinta-feira, 6 de maio de 2010

Terapia - Sessão 2

Muita gente já me aconselhou a fazer análise, tudo bem que sou meio neurótica, que tenho crises de depressão homéricas, que nunca tive um relacionamento amoroso por conta da vergonha que tenho de ser gorda (e tbm pq ninguém nunca se interessou por mim, tbm pelo fato de ser gorda), mas enfim, a questão é que eu não acredito em análise.
Durante a faculdade dividi o quarto da república em que morava com uma estudante de psicologia, pessoa desagradável, com mania de ter uma interpretação para cada gesto e cada palavra dos outros, oras se nós não conseguimos entender nem a nós mesmos como podemos ter a pretenção de saber o que se passa no interior dos outros?
Minha experiência com este projeto de psicóloga me fez criar um preconceito contra estes profissionais, mas com o tempo, conheci outras pessoas que também cursam psicologia ou são psicólogos que tem respeito pela intimidade e sentimentos de cada um, mesmo assim ainda não acredito em análise.
Ora, vejamos, o que vem a ser uma sessão de terapia? uma pessoa cheia de problemas deitada num divã contanto suas lamúrias para outra pessoa igualmente problemática que às vezes presta atenção, às vezes finge prestar, e que no final vai dizer que só você tem as respostas para as suas dúvidas, traumas e problemas. Bom se no fim eu vou ter que resolver tudo sozinha, pra que eu vou pagar as sessões?
Resolvi fazer minha terapia aqui mesmo. Cada postagem será minha sessão, serei meu próprio analista (embora aceite uma segunda ou terceira opinião, se alguém um dia vier a ler isso aqui.), não sei se com isso vou conseguir ser uma pessoa mais em paz consigo mesma, mas sei que quero fazer isso agora, pode ser que eu desista amanhã, como já desisti de tantas outras coisas na vida, mas hoje me sinto bem por conseguir escrever isto.

terça-feira, 4 de maio de 2010

PADRÃO

A palavra "PADRÃO", tem diversos usos, na administração, nas artes, nas ciências, na moda, no comportamento... A estampa de um tecido que se repete é um padrão, as características de um determinado produto constituem seu padrão de qualidade.
Numa pesquisa rápida na internet encontramos a seguinte definição do termo "PADRÃO":
1. Modelo a ser seguido; exemplo a ser copiado.
2. Regras de execussão de um produto.
3. Classificação; grau; gabarito.
4. Modelo oficial de medida.
5. Estampas de um tecido.

A primeira definição é a que se usa quando fala-se em "Padrão de Beleza", todos sabemos que este termo determina as características que uma pessoa deve ter para ser considerada bonita, o que hoje em dia significa para a mulher a junção dos elementos: magreza, de porte atlético (músculos bem definidos pela prática de atividade física regular), pele lisa (sem manchas, pelos ou acne), cabelos impecavelmente bem cuidados, dentes alinhados e branquíssimos. Estas são algumas características mais gerais que não variam de país para país como algumas outras que são ditas como preferência nacional como o caso do bum bum arredondado e opulento para os brasileiros e dos seios fartos para os americanos.
Quem não possui estas características é considerado "fora dos padrões" ou simplesmente feia. Ser feia na sociedade das aparências é uma anomalia, algo digno de repulsa. Entre todos os tipos de feiura que se pode ter, ser gorda é o mais grave. Eu sou portadora desta feiura. Este texto longo e chato é uma tentativa de explicar que este espaço foi criado como um desabafo para uma pessoa que pesa mais de 100 kg e que está cansada deste mundo em que a beleza não pode ultrapassar os 55 kg.
A palavra PADRÃO sempre foi um monstro me perseguindo, sempre foi meu maior inimigo nos meus poemas épicos, e ela é o primeiro demônio que quero exorcisar aqui.
PADRÃO ->MODELO -> PARADIGMA -> NORMA -> NORMALIDADE
Sei que este vai continuar sendo o esquema da sociedade, não pretendo mudá-lo, não sou uma anarquista, mas tenho direito de dizer que isto é uma grande idiotisse que só a imbecil humanidade poderia ter criado.
Será que alguém vai ler isto?
Normalmente escrevemos para que os outros leiam né? Ficaria muito feliz se isso acontecesse, mas se não acontecer, continuarei escrevendo assim mesmo. Esta é a minha catarse.