quarta-feira, 24 de agosto de 2011

Aos que me velam:

Não lamentem pela minha juventude

Que há muito minha alma é anciã,

Não lamentem pela inteligência perdida

Que dela não germinariam bons frutos,

Não lamentem pela amiga fiel

Que fui apenas uma cadeira ocupada e par de ouvidos,

Não lamentem pela profissional exemplar

Que não acharão produtos deste trabalho,

Não lamentem a filha, a irmã, a tia

Que o sangue logo seca na sepultura,

Não lamentem a namorada, a esposa, a mãe

Que nunca fui digna destes títulos,

No fim lamenta-se a mediocridade de uma vida

Sem motivos para os lamentos da morte.