No alto de um mirante, com os olhos displicentes a observar um quadro do qual deveria fazer parte.
A amplitude não me permite ver os detalhes, as pessoas não tem rosto, quase não é possível distinguir algumas cores e o foco vai se distorcendo próximo ao horizonte.
Seria entediante, algumas vezes é, ver essa paisagem, não fosse a efusão de movimento, o pulsar das vidas e o contraste que isso tem com minha inércia. Eu não faço parte dessa cena, não poderia fazer, mas o desejo...
Ah, frustração!
Mas o fascínio ainda é mais forte, preciso ver! Tenho que acompanhar até o fim, ver como as coisas acontecem. Quisera poder concentrar-me apenas na observação, queria não comparar o que vejo e o que vivo...
O show tem que continuar e é preciso que haja aplausos ao final, por que os papéis não são restritos ao palco e todos tem que desempenhar o que lhe coube.
terça-feira, 15 de março de 2011
domingo, 13 de março de 2011
Anos vazios...
Vivemos imaginando os próximos anos ou lamentando os anos que passaram.
Aos cinco anos de idade meu pai me perguntava o que eu seria quando crescesse, queria hoje ter a certeza que tinha naquela época ao dar a resposta. Os sonhos de criança mudam a cada minuto, mas não há nada mais verdadeiro que eles no momento em que são imaginados.
Ao entrar na escola boa parte dos meus sonhos de infância foram destruídos por risadas maldosas, apelidos humilhantes, empurrões e todo o tipo de brincadeiras de mal gosto.
No lugar dos sonhos inocentes começam a brotar sonhos amargos, sonhos de vingança, esses não eram tão plenos de certeza como os primeiros, sempre vinham acompanhados de um receio, de um escrúpulo, em compensação eles não eram tão facilmente substituídos. Uma coisa em com entre ambos foi a não realização.
A cada ano os sonhos foram se acumulando, diminuindo meu espaço de ação, hoje são só um amontoado de ilusões, prazos de validade vencidos...
Hoje olho os anos que passaram e vejo o nada dos sonhos ocupando todo o espaço, que no fim continua vazio, os anos que virão não são muito diferentes, apenas envelheço....
Aos cinco anos de idade meu pai me perguntava o que eu seria quando crescesse, queria hoje ter a certeza que tinha naquela época ao dar a resposta. Os sonhos de criança mudam a cada minuto, mas não há nada mais verdadeiro que eles no momento em que são imaginados.
Ao entrar na escola boa parte dos meus sonhos de infância foram destruídos por risadas maldosas, apelidos humilhantes, empurrões e todo o tipo de brincadeiras de mal gosto.
No lugar dos sonhos inocentes começam a brotar sonhos amargos, sonhos de vingança, esses não eram tão plenos de certeza como os primeiros, sempre vinham acompanhados de um receio, de um escrúpulo, em compensação eles não eram tão facilmente substituídos. Uma coisa em com entre ambos foi a não realização.
A cada ano os sonhos foram se acumulando, diminuindo meu espaço de ação, hoje são só um amontoado de ilusões, prazos de validade vencidos...
Hoje olho os anos que passaram e vejo o nada dos sonhos ocupando todo o espaço, que no fim continua vazio, os anos que virão não são muito diferentes, apenas envelheço....
sexta-feira, 11 de março de 2011
Rotina
Fecho a porta.
Um por um vou despindo meus personagens que vão ficando pelo chão no caminho entre a porta e a cama.
Apago a luz.
Aos poucos a escuridão vai tirando dos meus olhos todas as imagens que tive que suportar.
Ligo o som.
Pelos fones de ouvido a música limpa meus tímpanos de todas as banalidades que ouvi, que falei, todos os ruídos vão embora.
Adormeço.
Um mundo se fecha, outro mundo se abre, não escolho nem controlo o que acontece em nenhum dos dois, apenas sigo para cada um em seu horário certo. Quando o despertador me arranca de um e meus pés me jogam no outro.
Recolho meus personagens e de novo a engrenagem gira...
Um por um vou despindo meus personagens que vão ficando pelo chão no caminho entre a porta e a cama.
Apago a luz.
Aos poucos a escuridão vai tirando dos meus olhos todas as imagens que tive que suportar.
Ligo o som.
Pelos fones de ouvido a música limpa meus tímpanos de todas as banalidades que ouvi, que falei, todos os ruídos vão embora.
Adormeço.
Um mundo se fecha, outro mundo se abre, não escolho nem controlo o que acontece em nenhum dos dois, apenas sigo para cada um em seu horário certo. Quando o despertador me arranca de um e meus pés me jogam no outro.
Recolho meus personagens e de novo a engrenagem gira...
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