quinta-feira, 11 de novembro de 2010

Retalhos rotos

Eis que a ponta afiada do metal rasga o tecido, abre o caminho e passa
Traz consigo a fibra entrelaçada, vai ziguezagueando ágil
Uma mão que brinca de unir dois lados, ligeira e hábil
A cada ponto de arremate, fechando os cortes que a vida traça.

Das lacerações da alma a quem cabe a urdidura?
Minha alma que era traje de baile elegante
Que dentro de mim saltava dançante
Hoje jaz em retalhos rotos com mil rasgaduras.

Como poderá por mim te tornar tão virtuoso alfaiate,
Que transforme teus sentimentos em agulha e linha
Para ajudar-me a refazer o que destruí sozinha,
E faça que no molde perfeito do teu coração o meu se ate?

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