segunda-feira, 15 de novembro de 2010

In my ice box

Não querido, você nunca vai me ver perder o controle.
Por mais que eu esteja despedaçada por dentro, tudo que você verá é um sorriso inabalável!
Tenho a segurança do meu quarto pra desabar minha tristeza, tenho meus cd's de rock para gritar minha raiva, sim, meus cd's que você odeia tanto, isso parece deixá-los ainda melhores para mim!

Você vem me contar que está feliz com outra e de certa forma você sabe que isso me desestabiliza, mas não na sua frente, na sua frente serei sempre a melhor atriz de que se tem notícia, ficarei feliz com sua felicidade, mesmo te desejando a pior das mortes, te darei apoio e incentivo pra seguir em frente com seus amores fúteis.

Não querido, você não vai secar nenhuma das minhas lágrimas, porque eu as guardei só para mim. Jamais saberá quantas já verti por sua causa, nunca poderá dizer que já sofri por você, em sua presença meus sentimentos são jogados no mais profundo calabouço da minha alma, amordaçados, acorrentados, longe da sua visão, da sua mais apurada intuição.

Você nunca poderá rir do que sinto, nunca poderá sentir pena de mim, isso porque você não merece nenhuma ínfima parte destes sentimentos, e já que não posso evitar de sentí-los, posso ao menos te impedir de saber que eles existem.

quinta-feira, 11 de novembro de 2010

Retalhos rotos

Eis que a ponta afiada do metal rasga o tecido, abre o caminho e passa
Traz consigo a fibra entrelaçada, vai ziguezagueando ágil
Uma mão que brinca de unir dois lados, ligeira e hábil
A cada ponto de arremate, fechando os cortes que a vida traça.

Das lacerações da alma a quem cabe a urdidura?
Minha alma que era traje de baile elegante
Que dentro de mim saltava dançante
Hoje jaz em retalhos rotos com mil rasgaduras.

Como poderá por mim te tornar tão virtuoso alfaiate,
Que transforme teus sentimentos em agulha e linha
Para ajudar-me a refazer o que destruí sozinha,
E faça que no molde perfeito do teu coração o meu se ate?

quarta-feira, 10 de novembro de 2010

Canibal vegetariano

Não sou exatamente uma fã da cantora Pitty, mas ontem minha prima estava ouvindo e uma frase de uma música (que não sei o nome obviamente) me chamou bastante atenção: "...eu sou uma contradição e foge da minha mão fazer com que tudo que eu digo faça algum sentido...", ao ouvir isso lembrei-me dos meus dois últimos posts aki, eles parecem completamente antagônicos, na verdade a antagonia está nos momentos em que foram escritos, no meu estado de espírito ao escrevê-los.

Ao escrever "Insatisfação Perene" estava sob o efeito de uma recente desilusão, que não foi das maiores que tive, mas me fez refletir sobre a ação cumulativa dessas desilusões de todos os tamanhos, chega um momento em que me questiono se devo realmente resignar-me a estas perdas constantes, porquê devo me contentar com um vazio que me acompanha a tanto tempo? porquê não posso ganhar uma vez ao menos? em muitas situações da nossa vida esses questionamentos nos levam a inconformidade que acaba por nos mobilizar na busca de uma solução, mas nem sempre sabemos por onde começar...

"Relato Destoante", como o próprio nome diz, foi um texto diferente dos demais nesse blog, o primeiro que pode ser chamado de positivista, otimista ou qualquer nomenclatura nessa linha, esse foi resultado de um dia estranhamente feliz, digo estranhamente porque não é sempre que ficamos feliz numa segunda-feira, tendo acordado às 5 da manhã para recomeçar a frequentar a academia, além de um dia de trabalho tão cansativo como os anteriores, mas uma vez um primo meu disse em forma de brincadeira que sentir dor é bom, por que só os vivos sentem dor, e é a mais pura verdade! Aquela dor física acabou me livrando de boa parte da minha constante dor emocional.

Um amigo me disse que o meta-pensamento é um exercício para sabermos se não estamos nos torturando sem motivos, mas este é um exercício bem difício de ser feito, já que os resultados vão depender de seu estado de espírito no momento em que o pratica, um dia pode te dar a certeza de que você não tem saída e no outro pode te apresentar um horizonte de infinitas possibilidades, a chave de tudo é não se deixar levar facilmente por um ou outro.

segunda-feira, 8 de novembro de 2010

Relato destoante...

E um belo dia você abre os olhos e vê que mesmo as maiores decepções não conseguiram te matar, que mesmo tendo sofrido tanto seu corpo e sua mente ainda reagem com um sorriso a um dia de sol, a uma brisa refrescante, que você ainda consegue dar uma boa gargalhada de uma piada bem contada, de uma situação engraçada em família.

Você ainda sente seus músculos aquecerem nos exercícios, e relaxarem no repouso, seu coração ainda pulsa como antes, sua respiração é livre como sempre foi (exceto durante os resfriados! rsrsrsrs), você ainda sente prazer em comer suas comidas favoritas (e um pouco de culpa pelo exagero, mas oras, não é sempre!).

Um carinho preguiçoso de um gato ou a alegria desmedida de um cachorro ainda te fazem brincar como uma criança, tomar água gelada depois de escovar os dentes ainda te causa dor na testa e alívio ao resto do corpo no calor. Ainda existem músicas alegres que te fazem dançar e pular sozinho no quarto, ainda existem lugares que você quer conhecer.

Para perceber tudo isso, basta abrir os olhos e ver que mesmo que você não seja completamente feliz, você ainda está vivo, e todas as pequenas coisas que te mostram isso, são bem maiores do que seus sonhos quebrados, o coração que você entregou a alguém descuidado que o deixou quebrar não é o mesmo que bate no seu peito!

sexta-feira, 5 de novembro de 2010

Insatisfação perene

Será que existem compensações na vida? Será que uma coisa pode ocupar o lugar de outra totalmente diferente? Há satisfação real nisso?

Vamos a mais uma de minhas memórias de infância... lembro que sempre que tínhamos que tomar vacina (fossem as gotinhas amargas ou as horripilantes injeções) minha mãe nos prometia um doce para compensar. Era uma negociação boa para nós, nos protegíamos contra as doenças e ainda ganhavamos um agradinho!

Quando eram as gotinhas, o doce parecia ainda melhor porque tirava o gosto amargo da boca, a dor da injeção não passava tão logo comessemos nossa recompensa, mesmo assim ficávamos satisfeitos, mas nem todos os sofrimentos da vida são só um gosto amargo ou uma picada de agulha...

O que pode servir de compensação para o vazio? para a solidão? para o auto-desprezo? Todo mundo me diz: Você não tem motivos para ser triste ou deprimida, você tem amigos, tem família, trabalha com o que gosta, é inteligente, escreve bem (sim, as pessoas tem mal gosto ou falam só pra agradar!)... mas será que isso compensa o que me falta?

quarta-feira, 3 de novembro de 2010

Vidraça

Sabe quando alguém te olha, sorri largamente com carinho e abre os braços num gesto de saudade e aconchego, é algo tão emocionante que você olha pra trás pra se certificar se está acontecendo com você mesmo e descobre que na verdade você só está no caminho? Pois é, minha vida tem sido um constante dejavu dessa sensação!

Sempre que isso acontece, e hoje aconteceu mais uma vez, eu me lembro de quando era criança vendo desenhos de super-heróis com meus irmãos, sempre ficávamos conversando sobre que super-poderes gostaríamos de ter, eu sempre escolhia o poder de ficar invisível, hoje eu vejo como eu fui uma criança burra! Esse poder é mais uma maldição, porque só aparece da forma errada, no momento errado e eu nunca sei como fazer parar.

Mas será que existe algum super-poder capaz de mudar minha vida?

Crescei e mutiplicai-vos!

Viver em sociedade é viver entre cobranças. Esta é uma verdade inegável, desde a hora que nascemos somos cobrados, porque desde nossa geração somos fontes de expectativas alheias, qual o sexo do bebê? ele vai nascer perfeito? vai parecer mais com o pai ou a mãe? tamanho, peso, cor dos olhos, calminho ou chorão, tudo é expectativa, e desde cedo desapontamos em muitos aspectos.

Depois que deixamos de ser bebês (fofinhos ou não), as expectativas transformam-se em cobranças propriamente ditas. Seja educada, ande arrumada, tire boas notas, fale baixo, coma direito, sorria mais, brinque menos, comporte-se como uma mocinha, você ainda não tem namorado? passe no vestibular, escolha um curso com status, arranje um emprego, se case, tenha filhos, eduque melhor seus filhos, comporte-se como uma senhora...

Ontem minha irmã mais velha estava reclamando da cobrança para que ela encontre alguém, se case e tenha filhos, ela tem 28 anos e já dizem que ela tem que se apressar se quiser ser mãe. Ao contrário de mim, ela é uma mulher bonita, inteligente, fez um curso com status, passou em um concurso federal, é uma boa profissional, mas isso não basta! Só existe o sucesso completo se ela conseguir um bom casamento e filhinhos perfeitos em quem ela possa jogar todas as cobranças que recebeu a vida inteira!

Em alguns aspectos acho que tive mais sorte, ela sendo mais velha recebeu sempre mais cobranças, devia ser um exemplo pra mim, sempre foi aplicadíssima nos estudos, eu sempre tive mais facilidade de aprender sem precisar de tanto esforço. O único aspecto em que realmente fui muito cobrada foi em relação a aparência, neste caso, ter ela como comparativo acabava piorando esta cobrança. "Porque você não come menos pra ficar magrinha como sua irmã?", hoje eu responderia que é devido a nossos biotipos totalmente diferentes, mas aos 6 anos eu não tinha essa resposta na ponta da lingua!

Hoje eu vejo que esta cobrança para que ela se case e dê netos à minha mãe é um pouco culpa minha, eu não sou cobrada nesse quesito, quando não há expectativas não há cobranças, minha mãe não tem esperanças que alguém vá se interessar por mim, então ela deposita todas as expectativas em minha irmã. Cada um com sua carga!