quarta-feira, 24 de agosto de 2011

Aos que me velam:

Não lamentem pela minha juventude

Que há muito minha alma é anciã,

Não lamentem pela inteligência perdida

Que dela não germinariam bons frutos,

Não lamentem pela amiga fiel

Que fui apenas uma cadeira ocupada e par de ouvidos,

Não lamentem pela profissional exemplar

Que não acharão produtos deste trabalho,

Não lamentem a filha, a irmã, a tia

Que o sangue logo seca na sepultura,

Não lamentem a namorada, a esposa, a mãe

Que nunca fui digna destes títulos,

No fim lamenta-se a mediocridade de uma vida

Sem motivos para os lamentos da morte.

quinta-feira, 12 de maio de 2011

Just a suicide dream

FALTA.

Isso define tudo, falta.

Falta quase tudo.

Não falta porque eu não tenho.

Falta porque não existe.

Não existe, mas ainda assim falta.

Não deveria mesmo existir, mas falta.

Falta que não se entende.

Falta quem explique.

Vida lacuna, falta vida.

Falta vida e ainda assim falta vontade de viver.

Falta um motivo.

Falta fazer falta.

Sentido também.

segunda-feira, 2 de maio de 2011

Espelho

Acordei achando o mundo feio
Disforme, desfeito, descolorido
Olhar nublado, sorriso encardido
Acordei achando o mundo espelho.

Acordei quando não queria mais
Levantar, abrir os olhos, sair
Coisas pra fazer, coisas pra sentir
Acordei quando só queria paz.

quarta-feira, 20 de abril de 2011

Apenas um pensamento fúnebre

Morrer jovem, para quem é meio insignificante, tem a vantagem de dar um motivo para os que ficam lamentarem.
"Ele/a nunca fez nada que preste na vida, mas ainda era tão jovem! Quem sabe tivesse tido a chance poderia ser alguém um dia!"

Mas de que nos servem lamentações na morte mesmo?

Se Eu Morresse Amanhã! - Alvares de Azevedo

Se eu morresse amanhã, viria ao menos
Fechar meus olhos minha triste irmã;
Minha mãe de saudades morreria
Se eu morresse amanhã!
Quanta glória pressinto em meu futuro!
Que aurora de porvir e que manhã!
Eu perdera chorando essas coroas
Se eu morresse amanhã!
Que sol! que céu azul! que dove n'alva
Acorda a natureza mais loucã!
Não me batera tanto amor no peito
Se eu morresse amanhã!
Mas essa dor da vida que devora
A ânsia de glória, o dolorido afã...
A dor no peito emudecera ao menos
Se eu morresse amanhã!

domingo, 17 de abril de 2011

Conversando com ecos

Ninguém é completamente sozinho. Temos sempre nossa própria companhia, tá certo que é meio monótono às vezes (na maioria delas), mas é também educativo! Aprendemos a ser quem somos e conviver com nós mesmos.



Eu não sei muito bem a explicação científica de um eco, o som em alguns ambientes parece quicar nas paredes como uma bola de borracha e voltar para nós, mas será que é o mesmo som que emitimos?



Pelo menos quando o eco acontece dentro da nossa cabeça (da minha ao menos) eu tenho certeza que não, o que gritamos como exclamação nos volta como pergunta, o que sussurramos como dúvida nos volta como resposta e assim segue-se este diálogo-monólogo mental, silencioso e estridente, tedioso e esclarecedor.



Se isso não faz o menor sentido, é porque é só mais um eco da minha cabeça, não espero que reconheça minha voz...

segunda-feira, 4 de abril de 2011

A pé...

Ok, vamos com calma dessa vez.
Não vamos construir castelos nem cavar precipícios
Um pé a frente do outro, chão firme? então continue!
Não será o fim do mundo e nem a ascenção ao paraízo
Apenas continue andando

Admire bem a paisagem
Ria do que tiver graça e do que não tiver muita graça também
Guarde um momento para chorar pelo que não deu certo
E um momento para tirar da mochila pesos inúteis
Tudo de volta ao lugar, continue andando.

Não pense muito no fim da viagem
Não idealize tanto o destino
Se não chegar onde quer, valeu a caminhada
Oxigenou-se a cabeça e o coração
Então... continue andando!

terça-feira, 15 de março de 2011

Plateia

No alto de um mirante, com os olhos displicentes a observar um quadro do qual deveria fazer parte.
A amplitude não me permite ver os detalhes, as pessoas não tem rosto, quase não é possível distinguir algumas cores e o foco vai se distorcendo próximo ao horizonte.

Seria entediante, algumas vezes é, ver essa paisagem, não fosse a efusão de movimento, o pulsar das vidas e o contraste que isso tem com minha inércia. Eu não faço parte dessa cena, não poderia fazer, mas o desejo...

Ah, frustração!

Mas o fascínio ainda é mais forte, preciso ver! Tenho que acompanhar até o fim, ver como as coisas acontecem. Quisera poder concentrar-me apenas na observação, queria não comparar o que vejo e o que vivo...

O show tem que continuar e é preciso que haja aplausos ao final, por que os papéis não são restritos ao palco e todos tem que desempenhar o que lhe coube.