domingo, 31 de outubro de 2010

Espelho de vento

Tão simples e tão fascinante...
Velocidade, fuidez e liberdade
Cantar em galpões vazios
Dançar com coqueirais
E ser breve...

De tanta leveza tornar-se fúria
Destruir, deformar...
Balançar suave as águas, guiar veleiros
Levantar tsunamis, naufrágios...
Tudo é uma questão de intensidade.

segunda-feira, 25 de outubro de 2010

Café com leite

Não sei como chamam no restante do país, mas na cidade onde nasci e cresci nas brincadeiras de criança tinha sempre o "café com leite", que normalmente era a criança mais fraca ou mais nova para quem as regras do jogo não valiam, os mais velhos até deixavam essas crianças "participarem" das brincadeiras, mas elas nunca venciam, nem perdiam, nem eram pegas, elas ficavam lá correndo como se estivessem na brincadeira, mas nunca estavam de fato.

Eu sempre fui café com leite nas brincadeiras, era a caçula de casa e gordinha, então quando meus irmãos e primos permitiam que eu entrasse na brincadeira era como café com leite. No começo, quando eu era bem menor eu não me importava com esta condição, eu estava lá no meio deles correndo e isso me divertia, mas conforme eu fui crescendo e compreendendo melhor as regras das brincadeiras eu queria participar de fato, mas continuava sob a condição de café com leite, isso fez com que um dia eu não quisesse mais brincar, eu apenas sentava e ficava observando os outros brincarem, ou ficava entre os adultos ouvindo as conversas e histórias, apenas ouvindo, criança não podia falar quando os adultos estavam conversando.

Acho que ainda sou café com leite, eu sentei na minha vida observando os outros viverem.

sábado, 23 de outubro de 2010

Inacessível

Porque é da natureza humana desejar, principalmente o que não se pode ter... ou será que é justamente todo esse desejo que torna a realização impossível? Será que de tanto querer tocar as estrelas acabamos as afastando?

Como é difícil contemplar o que se quer sem poder realmenter ter. Como é difícil a cada dia fingir que este vazio não existe e como é torturante o medo de um dia conseguir e descobrir que não era como imaginavamos. Será preferível viver com a imagem perfeita da ilusão do que com as imperfeições da realidade?

Desejamos, mas não apenas obter, queremos que seja fácil, que seja mágico, que seja perfeito. Queremos um gênio como o da lâmpada maravilhosa do Aladin, que em um piscar de olhos nos traga tudo o que desejamos.

Sim, nos falta coragem de lutar, ou quando a temos o tempo e as derrotas nos tiram. Ou simplesmente descobrimos que existem coisas feitas unicamente para ser desejadas e nunca alcançadas...

Já foi muita bobagem por hoje.

sexta-feira, 22 de outubro de 2010

Suavizar

Respirar lento
Ar fluindo
Pensar sem pensamento
ouvindo...

Repousar o fardo
3 minutos
E o cansaço largo
É diminuto...

Uma canção leve
Infantil
Um instante breve
Sutil...

Parar
Contemplar
Interiorizar
Seguir...

segunda-feira, 18 de outubro de 2010

Esquife para uma ilusão recém nascida

Dizem que pessoas inteligentes aprendem com os próprios erros e pessoas sábias aprendem com os erros dos outros... por essa definição acho que sou uma pessoa completamente burra, eu vejo meu erro, eu vejo quando começo a errar novamente, eu tenho plena consciência do resultado desastroso, mas eu simplesmente deixo o erro acontecer outra vez.

Talvez o nome disso não seja burrice, talvez inércia seja uma palavra mais apropriada, mas não importa que nome se dá a isso, a questão é que sei que vou me arrebentar de novo, sei como evitar isso, mas não faço, porque no fundo eu espero que acabe diferente. Esses dias vendo tv o personagem de uma série falou que uma pessoa maluca é aquela que repete as mesmas ações esperando resultados diferentes, então é isto, eu sou maluca!

Mas será tanta maluquice ou burrice ter esperança?

Não se pode viver de ilusões, por mais que nos apeguemos a elas, por mais que elas sejam nosso único lampejo de felicidade, não conseguimos mantê-las vivas pra sempre e a morte de uma ilusão feliz é como a morte de um ente querido, nos coloca num luto muito doloroso.

Depois de enterrar tantas ilusões, ver outra nascer é quase tão sofrido quanto ter visto as anteriores morrerem, mas não há como abortar uma ilusão.

http://www.youtube.com/watch?v=QUKyT_Oqd1A&feature=fvst

sexta-feira, 8 de outubro de 2010

ad infinitum

É bem estranho e nada fácil estar só, principalmente quando se sabe que não é algo temporário, e nem uma solidão física de não ter pessoas por perto, esta é uma solidão definitiva, é a constatação de uma vida inteira onde só se pode ter a si próprio e esta não é uma boa companhia...

A vida é uma imposição, você não escolhe viver, você é empurrado pra isso. Há quem diga que aqueles que apressam sua saída dessa vida são covardes, que corajoso de verdade é quem enfrenta o desafio de continuar vivendo, mas a linha que separa coragem e burrice é muito tênue! Quem anda descalço em cima de cacos de vidro e brasas incandecentes também é chamado de corajoso, mas se formos ver o ponto de vista dos seus pés...

Certa vez eu desenvolvi uma teoria de que a vocação natural do ser humano é o sofrimento, que por mais que tentemos o evitar ele sempre está presente e que a melhor maneira de lidar com ele é a resignação. A verdade é que a humanidade tem uma tendência de generalizar as próprias experiências, e eu sou humana em demasia infelizmente.

Eu sei que nada disso faz o menor sentido, mas a paisagem sempre fica distorcida quando se tem lágrimas nos olhos.. Lágrimas, elas sempre aparecem não é? elas são o primeiro sinal de que você está entendendo a situação. A situação é que você (eu) estou em um caminho que não vai dar em lugar nenhum, exceto o cemitério, e que não tem ninguém com quem ir conversando pra tornar a caminhada mais amena, então se encontrar uma pedra no caminho, o melhor a fazer é sentar e chorar, por que motivos não faltam.